Stones no Jornal de Notícias

Bar de alterne recrutou ilegais durante quase uma década

Oito acusados em esquema de exploração de mulheres brasileiras julgado em Santo Tirso.

Durante quase dez anos, o bar "Stones", em Santo Tirso, terá funcionado como casa de alterne, a explorar brasileiras. Oito indivíduos vão ser julgados por lenocínio, auxílio à imigração ilegal e angariação de mão de obra ilegal.

O Ministério Público sustenta que o estabelecimento, situado em S. Martinho do Campo, foi convertido em espaço para a prática da prostituição em Fevereiro de 1996 e que a sua actividade se estendeu a Julho de 2006, até ser selado numa operação do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR de Santo Tirso.

Um comerciante, de 34 anos, residente em Paredes, é apontado como cabecilha do negócio, responsável pelo recrutamento e gestão das mulheres, oriundas do Brasil e a quem ajudava a pagar as viagens. Como "testa de ferro" teria uma arguida, de 35 anos, que se assumia como proprietária do bar perante a Segurança Social e as Finanças, enquanto o indivíduo se apresentava como "empregado". A acusação admite que este último tenha tido proveitos económicos "superiores a 100 mil euros".

No edifício foram instalados quatro compartimentos para a prática de actos sexuais. A "segurança" também não foi descurada, tendo sido colocados, em cada um dos quartos, dispositivos de alarme com ligação ao interior do balcão do bar, para avisar prostitutas e clientes no caso de ocorrer alguma operação policial de fiscalização.

Muitas das mulheres entraram no nosso país sem ter autorização de permanência, residência ou trabalho, apresentando, algumas, apenas vistos de curta duração. Para o seu alojamento, foi alugado um apartamento em Paços de Ferreira.

O golpe final foi dado pelo NIC de Santo Tirso na madrugada de 9 de Julho de 2006. Foram identificadas 17 brasileiras ilegais e apreendidos 57 mil euros em dinheiro, seis armas de fogo - alguns arguidos são acusados de detenção de arma proibida - e viaturas para transporte das imigrantes, bem como outro material relacionado com a actividade, como preservativos e lençóis descartáveis. Entre os acusados contam-se mais cinco homens e uma mulher, suspeitos de terem colaborado no negócio, como seguranças ou empregados.

O processo esteve em fase de instrução e ainda não há data marcada para o julgamento, mas é possível que comece já este ano ou no início do próximo.

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